Afaga ao de leve as pedras encantadas
que se contorcem suavemente por entre os teus dedos
implora o fôlego que delimita as personagens
dá-lhes a revelação afável da verdade
suprime as contrariedades
e exalta os arquétipos da redenção
que atravessam as flechas do tempo
Clama em silêncio
por um copado robusto de palavras
pela revelação errante iluminada
por um mistério que se insinua exasperado
desdobra a alma em hipérboles em eixo conjugado
desvenda todas as preposições ásperas
e enrola todos as letras em pulsações ritmadas
numa trama com inexorável subtileza
Recusa todas as crispações indiferenciadas
a iniquidade dos néscios dantescos
os corpos esventrados
a queda em traiçoeiros buracos negros
procura o local da enseada ou da queda de água
com recantos côncavos claros
e imprime-lhe um dialecto branco sem mordaças
onde os sonhos se empoleiram e ganham formas abstratas
equinócios do pensamento em movimento
CRV©2025
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